Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Novembro 04 2009

 

No mar das tuas mãos me fiz batel.
 
Da luz do teu olhar me fiz farol.
 
 
No lume da tua pele matei o frio
 
dos tempos de um porvir
 
                   a que roubaste o sol!
 
 
2008
publicado por milualves às 13:18

Novembro 04 2009

 

Com estas palavras
                            percorro
as margens de um rio.
 
 
O latejar suspeito
 
de um vulcão cansado.
 
 
Os terraços geométricos
 
dos arranha-céus da cidade.
 
 
Com estas palavras
                            percorro
nas praias revoltas do meu ser
as ondas inquietas do teu rosto.
 
 
2007
publicado por milualves às 13:13

Novembro 04 2009

 

 
Tu ontem, eu hoje,
         Nós sempre.
 
Eu folhagem, tu gaivota,
         Nós céu aberto.
 
Tu onda, eu areia,
         Nós mar alto.
 
Tu sangue, eu carne,
         Nós paixão.
 
Tu madrugada, eu canção
         Nós Poesia.
 
Eu chuva, tu orvalho,
         Nós procela.
 
Tu sombra, eu nuvem,
Nós deserto.
 
Tu Inverno. Eu Outono.
         Nós solidão.
 
 
2008
publicado por milualves às 13:04

Novembro 03 2009

 

 
Se todas as horas eu vivesse em doce tranquilidade,
e a minha alma transbordasse pelas coisas simples.
Se os meus caminhos fossem direitos
e as minhas ambições somente humanas.
Se dentro de mim houvesse conformação,
se dentro de mim ecoassem serenos Nocturnos de Chopin.
Se eu te recordasse em brisas de calmaria,
se olhasse as crianças sem reviver a infância,
se olhasse a juventude sem atear o braseiro dos sonhos.
Se olhasse o passado sem vendavais bravios de saudade.
 
Tudo seria melhor, mais feliz, mais fácil.
Mais calmo, mais cordato, mais normal.
Como a família gosta, como os amigos recomendam.
Estaríamos todos sentados em sofás confortáveis,
as mãos no regaço,
os olhos mortiços,
a conversa morta.
A olhar, a ver, a viver a telenovela das oito.
 
Mas nada disto cabe no meu eu. Que querem?
Cada eu é um eu, diferente, único, definido.
E eu sou eu, assim!
Por ser assim, e só por ser assim, vos amei tanto,
 vos dei sempre tudo sem conta, sem medida, sem anotação.
Vos dei tudo, tudo. As esperanças, os risos,
as desilusões, as lágrimas.
A longa agonia dos tempos sem sentido.
 
Hoje, tento recompor o meu ser como um puzzle.
De peças velhas, pisadas, partidas, esquecidas,
deixadas ao longo de caminhos tão distantes.
Hoje espreito na janela da minha inquietude
a tua recordação.
As tuas mãos que já não lembro,
os teus olhos de cor perdida na passagem do tempo.
 
E parece-me ouvir o meu coração.
Em batida descompassada, desregulada, enfraquecida.
O meu coração igual.
Intacto.
Na sua forma de amar,
de se dar,
 de se encher,
de se repartir.
 
O meu coração.
No seu entendimento do Ser Homem
e dentro de si abranger todos os outros Homens.
 
 
In: Palavras que o Vento não levou
publicado por milualves às 18:24

Novembro 03 2009

 

 Tanto te procuro
 Que te hei-de encontrar.
 
 Num abraço profundo.
 Numa noite sem bruma.
 
 À beira do mar.
 
 
publicado por milualves às 17:20

Novembro 03 2009

 

O assunto favorito era a guerra.
Com tudo o que dela nascera e morrera.
O homem destemido em que, pela guerra,
Ele se tornara.
 
 As palavras ditas.
 Corridas.
 Sentidas.
 Repetidas.
 As palavras gritadas.
 Convencidas.
   Desesperadas.
   Certeira,
   como tiros.
     
     
Ela ouvia.
A calar.
A concordar.
Sem pensar.
 
 Vencida.
 Desatenta.
 Alheada.
 
Em abstracção total a viver outro tema.
Era todos os dias igual.
 
E, entre os dois, as muralhas cresciam.
Cresciam.
A sufocar o amor.
 
( In “ Palavras que o Vento não Levou”)
1998
 
publicado por milualves às 17:17

Novembro 03 2009

 


 
 
Porque não enterro o sonho nos pântanos da vida,
 No orgulho, na vaidade,
 Nas malquerenças.
Porque não entendo as palavras vãs
 Da mentira, do engano,
 Do desamor.
Porque não toco as trombetas do enaltecimento próprio,
Antes deixo à inteligência alheia as escalas dos critérios de valor.
Porque anseio a perfeição em cada curva do caminho
E apenas me são dados fugazes momentos de imitação.
Quebro os pés de barro dos ídolos que me cercam
  
E refugio-me no silêncio das ausências.
 

2000     
publicado por milualves às 15:33

Novembro 03 2009

 

 
 
 
 
O teu corpo é uma praia
                                     que se espraia
no tempo improvável das paixões
 
 
O teu rosto é um astro incandescente
                                     Que me queima
No braseiro implacável das memórias.
 
 
 2009
 
 
 
publicado por milualves às 15:27

Novembro 03 2009

 

CARLOS CARDOSO LUIS

 

Estive no dia 1 de Novembro na homenagem prestada ao Poeta Mário Rainho,foi um acontecimento marcante com 28 fadistas a cantarem poemas do Mário Rainho e escrevi o poema que intitulei Poeta de Lisboa (como ele é conhecido no meio artistico).

 

 

 

Cada verso é uma imagem
A luz que eu adivinho
Envolta na mensagem
Da pena do Mário Rainho
 
É uma alma inquieta
Que adora o meio fadista
Com coração de poeta
Veia de grande artista
 
Por grandes nomes cantado
Letras belas de pasmar
Mario Rainho é fado
Faz a guitarra trinar
 
Que me perdoe o poeta
Esta minha ousadia
Numa forma discreta
Mostrar que sinto alegria
 
Na Catedral do Fado
Ali  bem na Mouraria
Por todos é acarinhado
O mestre da poesia
 
O Castelo altaneiro
Varina que apregoa
São tesouro verdadeiro
Do Poeta de Lisboa
 
Cada verso é uma imagem
A luz que eu adivinho
Envolta na mensagem
Da pena de Mário Rainho
 
publicado por carlos cardoso luis às 14:55
editado por mariaivonevairinho em 06/11/2009 às 03:44

Novembro 03 2009
Bom amigos especiais
 
ARDINA DE LISBOA
leva-nos hoje numa viagem imaginária pelo tempo
que recordamos com alguma nostalgia.
Ouça este tema em poema da semana ou aqui neste link:
 
http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Ardina_de_Lisboa/index.htm
 

 

 

 

 

 

 


Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca

 

 

 
Venha tomar comigo um cálice de poesia...
Entre por aqui na minha sala de visitas:
www.ecosdapoesia.com
 
 

 

 

publicado por appoetas às 02:16

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